A endometriose, doença ginecológica que atinge 10% da população feminina brasileira e causa danos para além da parte física, interferindo na saúde mental, social e vida sexual de quem a possui, pode ter os sintomas melhorados com suplementação alimentar.
É o que mostra um estudo recente publicado pela editora de periódicos científico MDPI (Multidisciplinary Digital Publishing Institute). Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Brasil, a parcela mais atingida tem idade entre 25 e 35 anos. Especialistas afirmam que um bom tratamento pode melhorar a qualidade de vida das portadoras e até evitar cirurgias.
“Sendo uma doença inflamatória, a endometriose poder ser causada por uma infecção ou lesão do acúmulo de células que cobrem parte do útero e que constantemente são eliminadas na menstruação. Dentre os principais sintomas estão a dor pélvica, fadiga, infertilidade, entre outros”, detalha a endocrinologista, Gisele Lorenzoni.
De acordo com a presidente da Sociedade Ginecologia e Obstetrícia do Espírito Santo (Sogoes), Kárin Rossi, o tratamento principal da endometriose é clinico e consiste na suspensão da menstruação com medicação hormonal, utilização de medicações e métodos para dor pélvica crônica, atividade física regular, fisioterapia do assoalho pélvico, musculatura lombar, abdominal, controle da saúde mental e acompanhamento nutricional funcional.
“A ENDOMETRIOSE ALÉM DE AFETAR A SAÚDE FÍSICA DA MULHER, AFETA O SEU BEM-ESTAR MENTAL E SOCIAL, E VIDA SEXUAL”, EXPLICA A ENDOCRINOLOGISTA.
Gisele diz que o estudo apontou a Vitamina D como um regulador clássico de vias inflamatórias, que pode atuar na diminuição das lesões provocadas no útero e que o uso de suplementação de resveratrol reduziu o tamanho dos endometriomas. “Com estas informações, podemos suplementar a paciente e acompanhar o caso e o retorno. O resveratrol também pode ser encontrado na uva”, explica a endocrinologista.
De acordo com Kárin, um bom acompanhamento nutricional funcional pode e deve fazer parte do tratamento de uma pessoa que vive com a doença.
“Com alimentos não processados, anti-inflamatórios, diminuição da ingestão de lactose, glúten, carne vermelha, alimentação rica em folhas verdes e legumes, reposição vitamínica de Vitamina D, B6, B12, C, A, E, reposição de Zinco e magnésio, controle da relação ômega 3/ ômega 6, controle do ferro e cálcio. O paciente deverá evitar os alimentos processados e ultra processados. Assim como ter uma atenção com a saúde intestinal também. Esse acompanhamento melhora a constipação e o equilíbrio da microbiota intestinal”.
Em relação q alimentação, Gisele diz que apesar de algumas suplementações serem encontradas em alimentos, caso do ômega-3 em peixes, oleaginosas, óleos vegetais, sementes, folhas verdes escuras, entre outros, é possível realizar a ingestão da substância de outras formas. “Também podemos suplementar caso a paciente tenha alguma intolerância alimentar para amenizar os sintomas e atuar na imunidade, que vai agir contra a inflamação”.
Tratamento convencional
O tratamento da endometriose envolve diversas esferas, partindo desde a saúde física a mental de portadora. Em âmbito de dor e sangramentos, Kárin explica que é indicada a suspensão menstrual aliada a tratamentos para o alivio das cólicas.
“O tratamento para a suspensão menstrual consiste na receita do anticoncepcional combinado ou progestágeno por via oral, injetável, vaginal, implantes, DIU hormonal, análogo do GnRH ou gestrinona via oral ou vaginal. Já para ajudar com as dores pélvicas analgésicos comuns, anti- inflamatórios não esteroidais, anticonvulsivantes, ansiolíticos e antidepressivos são recomendados, além de terapias, entre elas, acupuntura, massoterapia, mindfulness”.
Além dos já citados acima, a atividade física regular em consonância com fisioterapia do assoalho pélvico (área mais afetada pelas dores da doença) para fortalecimento e musculatura lombar também são aliadas.
“A atividade física regular promove a melhora do condicionamento físico, diminuição da fadiga crônica, fortalecimento muscular, liberação de endorfinas, controle do diabetes e da hipertensão, melhora do sono”, destaca Kárin.
De acordo com a especialista, o controle da saúde mental das pacientes pode ser realizado com a terapia comportamental e medicações para controle do humor. Há também casos elegíveis de tratamento cirúrgico para retirada dos focos de endometriose.
“Esse tratamento deve ser realizado por videolaparoscopia ou por videolaparoscopia assistida por robótica. O objetivo da cirurgia é a remoção completa de todos os focos de endometriose, restaurando a anatomia da pelve e preservando a função reprodutiva, função intestinal e urinária da paciente”, explica.
Segundo a médica, as pacientes mais indicadas para cirurgia são aquelas em que o tratamento clínico for ineficaz (dor intratável) ou contraindicado por alguma razão (as que não podem usar terapia hormonal); para as que desejam engravidar; as portadoras de grandes endometriomas; endometriose do ovário (> 6 cm) e nas que tem alterações da função intestinal com estenose e urinária comprometimento de bexiga e ureter.
Fonte: https://eshoje.com.br/2022/08/suplementacao-alimentar-pode-melhorar-sintomas-da-endometriose-afirmam-especialistas/